quinta-feira, 8 de abril de 2010

Devaneio



Como areia, entre meus dedos
Minha esperança escorre,
Misturada junto às lágrimas de minha face,
Encontram-se ao chão.
Sem forças, assumo-me ajoelhado
Perante a vida...
Sem forças, desabo e caio ao chão;
Sem forças, nem rastejar consigo.
As lágrimas continuam a sair
A esperança mais distante
Segue adiante...
Rastejando tento ir atrás...
Mas apenas um fio dela posso enxergar...
Distante ela se vai, rastejando sigo meu caminho,
Esticando meu caquético braço
A fim de agarrar o ultimo fio de esperança que consigo ver
E assim, quem sabe...
Tecer um novo destino, agarrado novamente à esperança.

A completa ausência do barulho


Condicionados a engolir
O que é produzido pela sedutora sociedade
Acabamos acostumados com o silencio
Cego, surdo e mudo – seguimos consumindo.
Sem critica – aprendemos a aceitar
Como moscas na teia da aranha
Somos aprisionados e mortos antes do tempo
Sem sonhos, matamos nossa vida
A completa ausência do barulho
O silencio é a própria morte
Como zumbis concidionados a aceitar e engolir
Somos peões neste jogo capital
Uma escravidão aceita pelo silêncio
Um silêncio que não mata só a nós
Mas cada ser humano que tem seus direitos violados.
Um silêncio que aumenta a exploração, preconceito.
É o domínio neoliberal (demônio capital)
É preferível a morte a uma vida sem sentido!
Não vou mais me calar perante suas regras burguesas
Não vou mais aceitar sua censura
E não vou mais baixar minha cabeça
Perante suas mentiras e seu jogo de poder
Vou quebrar seu silencio imposto
Pelo grito da liberdade.

terça-feira, 30 de março de 2010

Uma Flor para Narciso


Espelho...
o melhor angulo que vê a vida,
o mais belo que consegue capitar pra si,
Nada mais importa,
apenas o reflexo da vida diante do espelho.
Nada mais tão belo, nada mais tão formoso.
Diante do espelho passa a se admirar,
diante do espelho nada mais importa,
apenas sua imagem, nada é mais belo, nada é mais formoso;
Ao canto esquerdo superior do espelho
surge algo de uma cor maravilhosa,
"será o reflexo de minha alma? Pois de onde surgiria cor tão bela?"
Mas a medida que mais profundo olha no espelho,
percebe que não é sua alma, e sim uma flor...
oferta de alguem, que não se lembra quem,
que ignorou devido ao seu inflado ego erotizado.
De repente nasce a ira, pois como pode existir algo mais belo.
Uma flor para Narciso, e a ira, o ódio aparece e enaltece.
Tomado de uma furia insana, seus olhos soltam raios de ódio,
e com a mão cerra o punho, e mira no espelho contra o reflexo da flor.
O espelho se despedaça...
sua imagem se quebra...
Narciso vai ao chão, em prantos, sua imagem não é mais bela...
não suporta sua imagem despedaçada, perante ter ignorado a flor,
sua imagem se despedaça...ao descobrir que algo é mais belo que ele prórprio
Como o espelho, seu ego é despedaçado...em prantos fica ao chão...
E a flor, na sua humilde essência, mantém seu esplendor.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Irreal


Com medo de pisar ao chão, segue flutuando pela estrada de tijolos amarelos;
a busca do seu castelo sem sombras, diante do amargo conto de fadas que construiu.
Um rosto de sem expressão buscando um sorrisso falso, ilusório,
Vivendo a falsa felicidade do mundo de Peter Pan e Alice.
Fingindo não existir a dor do mundo real,
mas caindo na teia de dor maior do conto de fada que criou.
Seus pés então tocam a chão.
O castelo sem sombra se desfaz na sua frente,
e diante de si, aparece a cova que construiu, fingindo não saber.
Onde está Peter Pan e Alice? Os rostos agradáveis se tornaram monstros que lhe atormentam...
Sem opção, é necessário tocar o chão real, cheio de espinhos, que um dia quis negar.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Caminhar de um insano



Obscurecida é a luz...
Por causa da sombra de seu império
Esta escuridão que tenta impedir
O nascer da flor da esperança;
Nos corações ardentes pela chama da liberdade
E estou aqui, insano..
Fugindo desta realidade asfixiante
Não me tornando mais um
Em seu maldito jogo
Não me tornarei adicto – nego suas químicas
não me tornarei lascivo – nego seus prazeres
Não serei seduzido – nego seus tesouros
Insano – caminhando, lutando para respirar
Neste mundo asfixiante eu ainda respiro
É preferível ser louco
Do que aceitar o lixo da normalidade imposta.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Resurgo


Corrompido, destruído, violado.
A vida esvazia-se de minhas mãos
Pelo sopro da sedução
Meu coração se petrifica
Minha alma se esvazia
Meu corpo se decompõe
Corrompido, destruído, violado,
Quase morto...
Mas ela não venceu
Em um instante do tempo
Meu coração se aquece e se incendeia novamente
Trazendo de volta minha alma
Reabilitando meu corpo, recomponho-me
Respirando e pensando novamente
Ainda vivo
Respiro e penso por si só
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sábado, 19 de setembro de 2009

Vazio...preenchendo...



Às vezes olho pra dentro e nada encontro;
Apenas um vazio, gélido, sombrio...
O encontro solitário, que ousei fugir,
Mas agora ele bate a minha porta,
Não há como fugir mais,
É hora de voltar para meu âmago...
Sentar no banco de um jardim opaco,
E descobrir quem eu sou e por que eu sou.
Mas o gélido vazio dentro de mim assombra,
Ventos gelados, tempestades, furacões...
O encontro esperado, uma tormenta interminável,
Mas lá estou sentado no banco de um jardim opaco,
Comigo mesmo e para mim mesmo,
Tentando me descobrir, procurando me compreender,
Um árduo refletir, mas não há como fugir...
Um monólogo quase interminável, e inevitável,
E agora me sento, respiro e reflito... sempre.